Houve uma época em que os amantes se comunicavam por cartas, sem nunca terem se visto muito menos se tocado. Trocavam fotos, promessas e já se consideravam apaixonados. Muitas dessas histórias acabaram em namoro e mais tarde em casamento, outras apenas acabaram.
O mundo evoluiu e o correio ainda existe, mas usamos bem menos que antes. As comunicações são feitas por telefone, celular ou internet. Agilidade, quantidade e otimização de tempo são palavras de ordem do mundo digital. Tudo é "para ontem" como se isso fosse possível. Redes de relacionamento onde todos conhecem quem conhece você. E muitos nunca virão a se conhecer mutuamente, apenas sabem do outro.
Quantos são os amores de internet que ouvimos falar? Alguns mascaram golpes e extorsão da boa fé de quem busca um par. Pessoas que se ligam a outro de tal forma que chegam a mandar dinheiro para o (a) suposto amado, um especialista nesse tipo de golpe. Frustração, decepção, perdas das mais variadas: financeira, do tempo, da emoção despendida.
Mas há luz no túnel e bons sentimentos que regem grande parte daqueles que utilizam internet para seus contatos. Pessoas se apaixonam pela idéia que fazem do outro, por um sorriso, uma palavra, uma ousadia maior e o amor pode sim sair do virtual para o real, fazendo da amada, polemica e indispensável internet um recurso romântico.
Amizades virtuais também acontecem sem necessariamente haver atração física e pessoas podem ter como seu melhor amigo o da internet. Aquele que mora em outra cidade, estado ou país e com quem nunca teve um encontro real, mas que sempre tem uma palavra de apoio, engraçada ou adequada.
Personalidades se revelam com mais intensidade através do filtro e do escudo da distância. Mas a alma humana pede contato físico, seja um abraço do amigo, seja um beijo do amor. O virtual procura o real. Quer presença, cheiro, calor.
Nesse encontro acontecem várias situações. Fatalmente uma constatação do que idealizou cada uma das partes. O amor virtual é mesmo tudo que pôde ver na câmera da internet, nas fotos trocadas? A decepção faz parte desse encontro em outras situações. É mais alto (a) ou mais baixo (a), a beleza nem é tanta e falta-lhe um quê de charme ou inteligência? Nesse caso a frustração pode apagar a chama mantida por meses e levar ao afastamento ou aos acertos das expectativas.
Algumas pessoas colecionam contatos sem nenhuma afinidade, são os Voyeurs virtuais. Temo por quem é assim, pois há disfunção em sua capacidade de concretizar relações, seja por insegurança ou qualquer outro motivo, fato que impede contatos mais estreitos, sinceros, profundos. Quem muito quer nada tem de sólido realmente. Quem busca quantidade precisa abrir mão da qualidade em muitos momentos, pois as relações precisam ser compartilhadas e alimentadas com afeto, consideração, aparência.
Ter muitos conhecidos é bom, prazeroso e conveniente, mas é bem diferente de ter amigos verdadeiros.
A internet é sim bastante interessante. Já encontrei amigos de infância, parentes distantes e conheci facetas dos meus amigos que antes eu não via. Adoro descobrir em novas formas meus velhos amigos.
Surpresas e decepções fazem parte da vida, viver não é ensaio e buscamos a felicidade seja de que maneira for, mas esta deve sem dúvida ser real.
Dedico esse artigo a todos que conheci, reconheci ou pude reinventar pela internet.
Um grande abraço.. Por hoje virtual.
"... a alma humana pede contato físico, seja um abraço do amigo, seja um beijo do amor. O virtual procura o real. Quer presença, cheiro, calor".
Fonte: Elisa Moreno Joaquim
Psicóloga - Terapeuta Individual, Casais e Famílias.
Especialista pela PUC SP em Terapia Familiar.
Consultório: Rua Dr. Cardoso de Almeida, 579 centro.
Fone: (14) 38151388
Sugestões: efrg@btu.flash.tv.br
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