Assistir à televisão é um daqueles hábitos que todos sabemos que acrescenta pouco ou quase em nada em nossas vidas, porém que continuamos fazendo sem nem pensar direito no porquê.
Lembro-me de um trecho no livro de Stephen Covey em que ele fala para nos imaginarmos bem próximo da morte. Nessas horas, ao pensarmos sobre a vida que tivemos, é possível que disséssemos “eu queria ter ficado mais tempo com os amigos”, “eu queria ter viajado mais”, “eu queria ter aproveitado a vida de um modo melhor”. É muito pouco provável, no entanto, que alguém diga “eu queria ter assistido mais à televisão”.
Como somos colocados desde pequenos na frente da TV por babás preguiçosas ou pais que queriam que nos entretêssemos com algo enquanto eles trabalhavam, largar o hábito de ver televisão não é algo fácil.
Minha experiência
Meu hábito de assistir à televisão foi diminuindo com o tempo, sem que eu tivesse planejado nada. Simplesmente de 2005 para cá o volume de coisas a fazer foi crescendo tanto que naturalmente eu passei a ver menos TV.
No entanto, do ano passado para cá, resolvi fazer uma experiência mais radical de cortar completamente a televisão. Um dos indicadores de que estou indo bem é o de que não sei atualmente o nome de nenhum Big Brother ou personagem de novela (nisso contribuiu também eu ter bloqueado portais da minha navegação). Acho que a melhor maneira é mesmo diminuir gradualmente até cortar completamente.
Tal qual um fumante passivo, eu ainda vejo (ou pelo menos ouço) TV porque ela está sempre ligada aqui em casa. Inclusive na hora do almoço. Porém a diferença é que eu não ligo mais a televisão de deito no sofá para vegetar em frente a ela. Claro que às vezes há uma recaída aqui e acolá, mas como sempre digo o que importa é o que você faz na maior parte do tempo e não a perfeição (isso vale muito para alimentação também).
Isso não quer dizer absolutamente que eu não vejo mais nada. Acho que ver TV é tão popular porque não exige nenhuma atividade cerebral, você simplesmente deita ali e esquece dos problemas ao imergir em outro mundo. Nesse ponto, o que tem me ajudado bastante são os DVDs e os torrents. Tenho assistido mais ou menos um filme por semana e também acompanho três séries, inclusive como parte do meu processo de melhoria do inglês (eu uso legendas em inglês em duas delas e sem legenda na terceira). A diferença aqui é que você escolher ativamente ao que assistir (e não fica sujeito a uma programação aleatória) e também não é interrompido pelos comerciais (exceto pelos merchans embutidos nas histórias).
Os benefícios
Você já parou para pensar por que você quer tanto aquele carro, aquele tipo de roupa, aquele relógio ou aquele corpo que geneticamente não tem nada a ver com o seu? Uma das respostas, pilar da nossa sociedade de consumo, é justamente a televisão. Se não fôssemos impactados pelos comerciais, nunca teríamos esses desejos de consumo. Por exemplo, uma pessoa de alguns séculos atrás nunca teve o desejo de ter um telefone que fosse móvel e batesse fotografias.
Apesar disso, o grande benefício para mim foi a criação de tempo. Escrever diariamente neste blog, colaborar com Webinsider e JC OnLine, tocar a Wenetus com uma equipe enxuta, namorar, fazer exercícios de segunda a sábado, estudar inglês todo dia, acompanhar 100 feeds, fazer atendimento a clientes e participar de algumas listas de discussão são atividades que tomam bastante tempo. Desperdiçá-lo assistindo à televisão não está mais entre as atividades rotineiras.
Para finalizar, tenho que registrar o meu maior benefício ao parar de assistir TV: substituir um hábito ruim por um excelente. Depois que larguei a televisão, passei a ler uma média de um livro por semana. Não tenho nem como mensurar o crescimento cultural, intelectual, pessoal e profissional advindo desse hábito.
Então, sigam aquele velho slogan da MTV: desligue a TV e vá ler um livro.
Fonte: Fatorw.com
|